Teatro popular com qualidade e sensibilidade

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“O poeta é um fingidor / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente.” Estes versos são, sem dúvida, os mais conhecidos do popular poeta português Fernando Pessoa. Transformando em ficção a poesia e a biografia de seu autor, em especial sua relação com seus heterônimos, o dramaturgo e diretor Samir Yazbek concebeu “O Fingidor”, peça que está comemorando dez anos em cartaz, após ganhar o Prêmio Shell de melhor texto, participar de festivais em Portugal e ser editada em dois livros. A admirável continuidade do espetáculo no árido terreno do teatro atual e meu interesse em conhecer mais de seu autor (que conheci através do ótimo “A Entrevista” visto no Rio de Janeiro) me fizeram prestigiar à estréia da temporada comemorativa. Entre os méritos do texto estão a assimilação da História e da obra de Pessoa em uma fictícia passagem de sua vida quando decide se passar por um humilde datilógrafo para conhecer o estudioso que escreve sobre seu trabalho. A partir daí é o espaço para Helio Cicero brilhar absoluto na pele do protagonista, esbanjando bom humor e emoção, ganhando a simpatia do público que se comove com sua inesquecível composição. Eduardo Semerjian na pele do crítico literário têm ótima interpretação, assim como o lindo trabalho de Regina Remencius. Álvaro Augusto Motta, Antônio Duran e Wagner Molina fazem três dos heterônimos com grande eficácia, em especial o afetado Álvaro de Campos do primeiro. Laerte Mello, Duda Mattos e Henriqueta Madalena completam o elenco de altíssimo nível. Cenários, figurnos e iluminação são simples e plenamente compatíveis com a encenação. Ao final da apresentação tão especial, foi impossível não me comover com a emoção do dramaturgo e diretor ao subir no palco, agradecer seu elenco e festejar seu lindo projeto. Acompanhar a resistência e vitória de “O Fingidor” ao longo de uma década renova nossa fé na justiça da equação talento mais trabalho igual sucesso. Vida longa à todos os poetas do teatro!

Serviço: TUCA | Sexta e sábado 21h30 e domingo 19h

 

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