Arquivo em ‘Festivais’

Tragédia urgente de uma realidade sem amor

Meire Love (Núbia Abe)

O Grupo Bagaceira de Teatro de Fortaleza, Ceará, apresenta obra-prima sobre a realidade da prostituição infantil no Brasil no imperdível “Meire Love – Uma Tragédia Lúdica”. Leia a crítica.

Especial FIT – São José do Rio Preto

Onde Você Estava no dia 8 de Janeiro (reprodução)

A cena do Irã, a dança-teatro belga e a dramaturgia de Portugal se encontraram com grupos do Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e São Paulo na programação do FIT – Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto em 2011. Leia as críticas.

Filte Bahia: boas surpresas na América Latina

Na concisa e cuidadosa programação do III Festival Latino Americano de Teatro da Bahia destacam-se os espetáculos de grupos com apelo político. É muito natural que países de colonização violenta e que sofreram com ditaduras até bem recentemente (ou ainda estejam dentro delas) usem o teatro como espaço de reflexão de sua História. Curiosamente o Brasil, que também passou pelas mesmas questões, pouco tem lançado seu olhar para tal discussão e as mostras latino-americanas que acontecem por aqui proporcionam o encontro com trabalhos politizados de povos que tanto têm em comum conosco. Entre as companhias participantes da edição deste ano do Filte Bahia, destaca-se a peruana Yuyachkani que ganhou uma mostra exclusiva dentro do festival para comemorar seus 40 anos. “O Último Ensaio”, uma de suas montagens mais recentes (estreou em 2008 em Lima), abre uma fissura no realismo para transgredir o discurso formal tradicional e alcançar uma crítica histórica do passado recente do Peru.

FIT São José do Rio Preto: espetáculos de risco

O grande destaque do X Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto – que apostou na conquista da singularidade – foi o americano Richard Maxwell. Ao lado de seu grupo, os New York City Players, o dramaturgo e diretor – do lado mais experimental da Broadway – trouxe ao Brasil “Ode Ao Homem Que Se Ajoelha” e provou que devemos olhar com mais atenção para a atual criação autoral dos Estados Unidos. Neste texto ele se afasta do presente para contar uma história que se passa no velho oeste com seus vaqueiros matadores e mocinhas apaixonadas. A figura principal, um cowboy, vive sua saga pela conquista da mulher submissa que espera o amado por ele assassinado. O texto usa contenção e solenidade para refletir sobre os homens de um tempo icônico e que apesar de distante tanto influenciou a sociedade americana, ecoando nostalgicamente até os dias de hoje naquele povo. Muito também por conta da supervalorização através do cinema com os filmes de faroeste que renderam incontáveis produções, algumas legítimas e outras nem tanto. A voz e o canto – as músicas são de autoria do dramaturgo – dos personagens também transitam entre o discurso viril, a submissão e o sentimento de conquista territorial – e aqui o território é mais do que um espaço geográfico, mas um lugar no coração da mulher amada.