Arquivo em ‘São Paulo’

Atuações vigorosas garantem bom espetáculo

Presença frequente em nossos palcos, a dramaturgia realista norte-americana encontra espaço na programação brasileira não só pela qualidade, mas também pela forma como ecoa a linguagem do cinema estadunidense que tanto consumimos e assimilamos como cultura globalizada. Outro motivo pelo qual desperta interesse dos produtores é a facilidade de entendimento do público – menos por identificação com sua realidade e mais pela fácil deglutição cultural iniciada por meio da música e da sétima arte -, e também pelas semelhanças com o naturalismo praticado nas novelas de televisão – de onde provêm muitos dos atores que estrelam textos teatrais nesta linha. Curioso é o fato de grande parte dos dramaturgos contemporâneos do nosso país renegar o realismo como gênero menor no teatro, o que abre ainda mais espaço para a importação. “Inverno da Luz Vermelha” estreou em Nova York em 2005 recebendo indicação ao Prêmio Pullitizer. Baseado em uma experiência biográfica do autor Adam Rapp, o texto conta a história de dois amigos americanos em Amsterdã: um é o músico egoísta, machão e bon vivant incorrigível, o outro um roteirista certinho, tímido e romântico.

Atores e músicas garantem bom espetáculo

É na luta entre o bem e o mal que está baseada a cultura maniqueísta da Humanidade, com seu Deus e o diabo – expressões máximas de cada oposto. Na Literatura, a enorme maioria dos conflitos entre personagens também surgem de tal duelo, afinal mocinhos precisam de seus vilões para mostrarem quão nobres são, com suas qualidades e valores humanos, saindo ilesos moralmente dos embates com os antagonistas que representam tudo aquilo que nos causa repugnância. A grande qualidade do romance “Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde” de 1886, escrito pelo escocês Robert Louis Stevenson, foi desconstruir parte do conceito de maniqueísmo ao defender que o bem e o mal habitam o mesmo ser, materializando-os na dupla personalidade do protagonista Henry Jekyll, o médico do título em português, um cientista que, na Londres do século XIX, intenciona libertar o Homem de seu mal. O intento, soa inicialmente como benéfica ideologia, mas pode ser encarado também como perverso pensamento de pureza e superioridade humana, ao julgar quem é bom e quem não é. Em suas experiências, o doutor acaba não castrando seu lado negativo, mas sim o liberando descontroladamente, com sede de vingança e subversão, na figura do taciturno assassino Edward Hyde – o monstro no título adotado por aqui -, com quem travará uma luta até que apenas um, ou nenhum, sobreviva.

Tudo dá certo em montagem inusitada

Por Lucianno Maza (SP) Quando surgiu há alguns anos atrás no Rio de Janeiro conquistando plateias e prêmios em festivais de esquete com “Cachorro!”, o grupo Teatro Independente, formado por jovens então recém-saídos da faculdade, possivelmente não imaginava o quanto de frescor levaria ao teatro da cidade, cada vez mais carente de boas iniciativas de [...]

Vale a pena apreciar

Por Lucianno Maza (SP) Encenar a boa dramaturgia produzida em outros países é a chance de viajar à História de uma nação, e por isso é bom ter em nossos palcos exemplares do teatro de qualidade vindo de outros lugares do mundo. “Side Man” é um destes casos. O texto, que estreou nos Estados Unidos [...]