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	<title>Caderno Teatral</title>
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	<description>Impressões de espetáculos na internet</description>
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		<title>Destaques 2011: espetáculos</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2011 16:27:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucianno Maza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<description><![CDATA[<p><p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br">Caderno Teatral</a></p><p>Ao longo da semana foram publicados os Destaques 2011 do Caderno Teatral nas categorias cenografia, figurino, iluminação, ator, atriz, dramaturgia e direção. Chegou a hora de conhecer os espetáculos do ano em nossa seleção. Por Lucianno Maza São Paulo Os destaques de 2011 como espetáculos: “Cabaret” A história da prostituta Sally Bowles em meio a [...]</p></p><p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br/destaque/destaques-2011-espetaculos/">Destaques 2011: espetáculos</a>
</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br">Caderno Teatral</a></p><p style="text-align: justify;">Ao longo da semana foram publicados os <strong>Destaques 2011 do Caderno Teatral</strong> nas categorias cenografia, figurino, iluminação, ator, atriz, dramaturgia e direção. Chegou a hora de conhecer os espetáculos do ano em nossa seleção.<span id="more-670"></span></p>
<p style="text-align: right;">Por Lucianno Maza<br />
São Paulo</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Os destaques de 2011 como espetáculos:</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>“Cabaret”<br />
</em></strong>A história da prostituta Sally Bowles em meio a ascensão nazista ganhou versão que correspondeu às expectativas que cercam o gênero, surpreendendo na criatividade da tradução de Miguel Falabella e na estética gay do diretor José Possi Neto. Cláudia Raia e Jarbas Homem de Mello foram originais nas composições de seus personagens neste que foi o musical do ano.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>“Cabaret Stravaganza”<br />
</em></strong>Em formato de múltiplas e heterogêneas cenas, Os Satyros discutiu diferentes expansões: de uma arte que se alastra por linguagens distintas, da realidade que ganha o campo virtual e do gênero sexual que se transforma. O espetáculo marcou ainda a volta de um dos principais atores do grupo, Ivam Cabral, como condutor de tal extravagância.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em> “Cartas de Amor Para Stálin”<br />
</em></strong>Terceira montagem do grupo BR 116, o texto de um dos maiores autores da Espanha contemporânea, Juan Mayorga, era construído a partir da possível ligação do ditador soviético Josef Stalin para o escritor Mikhail Bulgakov. O baiano Paulo Dourado mesclou os personagens da esposa do escritor (vivido por Ricardo Bittencourt) e do governante em Bete Coelho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>“Deus da Carnificina”<br />
</em></strong>Yasmina Reza, dramaturga franco-argelina, tem como principal qualidade aliar o alcance popular de seu teatro com provocações sociais contundentes. Desmascarando a civilidade, a badalada comédia ganhou montagem brasileira de qualidade, sobretudo pelas interpretações bem medidas do elenco e o ritmo estabelecido por Emílio de Mello na direção.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>“Diário Baldio”<br />
</em></strong>Duas máscaras grotescas de bufão cobriam os rostos dos atores da Barracão Teatro para que contassem a história do encontro de marginais da sociedade: uma travesti pobre e um deficiente físico e mental igualmente miserável. O espetáculo, dirigido por Tiche Vianna, conseguia provocar igualmente os sentimentos de repulsa e compaixão pelos personagens.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>“Fragmentos do Desejo”<br />
</em></strong>A sexualidade, em suas perversões e em seu amor, surgiu impactante na história de uma travesti e seu admirador cego. A companhia franco-brasileira Dos à Deux partia do teatro de animação com bonecos e manipulação de objetos para construir imagens fortes como o abuso sexual de uma criança, uma ida ao cinema ou certa relação envolvida em braços gigantes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>“Luis Antonio &#8211; Gabriela”<br />
</em></strong>Se a transexualidade foi um dos assuntos mais comentados no teatro e na sociedade brasileira em 2011, logo no início do ano a Cia. Mungunzá deu sua contribuição para o debate. Partindo do melodrama pessoal do diretor Nelson Baskerville e sua falecida irmã travesti, a encenação pós-dramática resultou num espetáculo que provocava comoção.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>“Meire Love &#8211; Uma Tragédia Lúdica”<br />
</em></strong>Conhecido coletivo cearense, o Grupo Bagaceira apresentou em São Paulo uma interessante comédia com elementos da tragédia sobre um dos maiores problemas do Brasil: a prostituição infantil. Com texto que dominava o assunto sem moralização e uma concepção seca, três atores viviam as garotas que sonhavam em sair dessa realidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>“Oxigênio”</em></strong><em><br />
</em>Depois do sucesso de “Vida”, a Cia. Brasileira de Teatro trouxe de Curitiba mais um grande trabalho, dessa vez com estética e dramaturgia consideravelmente diferentes do anterior. O texto russo de Ivan Viripaev, sobre sentimentos e angústias globais, ganhou roupagem de show de rock nas mãos de Márcio Abreu e dos atores Patrícia Kamis e Rodrigo Bolzan.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>“Pinokio”<br />
</em></strong>Marcado pela pesquisa em torno das dramaturgias contemporâneas, o Club Noir apontou para novo movimento desencadeado pelo autor e diretor Roberto Alvim, chamado de Dramáticas do Transumano. A fábula infantil de Carlo Collodi era pretexto para falar de um Homem que se torna outra coisa, outro Homem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>“Pterodátilos”<br />
</em></strong>Na comédia escrita pelo americano Nicky Silver nos anos 1990, uma família decadente é mostrada com humor ácido. Representado por um inspirado Marco Nanini e por uma Mariana Lima sustentando o tom altíssimo desta segunda montagem do texto no Brasil, ambas estreladas pelo ator e dirigidas por Felipe Hirsch.</p>
<p style="text-align: justify;">Foto (“Cabaret”): Divulgação</p>
<p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br/destaque/destaques-2011-espetaculos/">Destaques 2011: espetáculos</a>
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		<title>Destaques 2011: dramaturgia e direção</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 16:50:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucianno Maza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>

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		<description><![CDATA[<p><p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br">Caderno Teatral</a></p><p>A inquietação poética de um é a base do espetáculo, enquanto a decodificação do outro faz a palavra ganhar corpo. Quais serão os dramaturgos e diretores dos Destaques 2011 do Caderno Teatral? Descubra agora. Por Lucianno Maza São Paulo Os destaques de 2011 em dramaturgia: Gustavo Colombini por “O Silêncio Depois da Chuva” O Núcleo [...]</p></p><p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br/destaque/destaques-2011-dramaturgia-e-direcao/">Destaques 2011: dramaturgia e direção</a>
</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br">Caderno Teatral</a></p><p style="text-align: justify;">A inquietação poética de um é a base do espetáculo, enquanto a decodificação do outro faz a palavra ganhar corpo. Quais serão os dramaturgos e diretores dos <strong>Destaques 2011 do Caderno Teatral</strong>? Descubra agora.</p>
<p style="text-align: right;"><span id="more-656"></span><br />
Por Lucianno Maza<br />
São Paulo</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Os destaques de 2011 em dramaturgia:</em><br />
<strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Gustavo Colombini por <em>“O Silêncio Depois da Chuva”</em><br />
</strong>O Núcleo de Dramaturgia do SESI  lançou mais um autor de qualidade:  Gustavo Colombini, que estreou obra  com rupturas dialógicas, domínio estrutural e estilo lapidado. Em colaboração com o diretor Leonardo Moreira, a história sobre os tempos e sentimentos áridos de uma família que, ironicamente, espera a chuva passar, tem resultado forte.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Maria Shu por <em>“Cabaret Stravaganza”</em><br />
</strong>A dramaturga Maria Shu contribuiu decisivamente para a qualidade final do espetáculo do grupo Os Satyros com uma identidade poética que impregna cenas tão distantes em temas e formatos. O texto se sobressai na bela sequência da mulher que enxuga gelo, quando traça um mapa de computadores e usuários e ainda na videoperformance com a atriz Julia Bobrow.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Roberto Alvim por <em>“Pinokio”</em><br />
</strong>A importância desse texto do autor e pesquisador Roberto Alvim se estende para a História se o pensarmos como marco zero das instigantes Dramáticas do Transumano que têm se formado no Brasil. Quebrando dogmas repressores da dramaturgia, o texto ultrapassa o Homem tal como conhecido, para expandir a percepção de mundo.</p>
<p><strong>Suzy Lins de Almeida por<em> “Meire Love &#8211; Uma Tragédia Lúdica”</em><br />
</strong>O cearense Grupo Bagaceira de Teatro trouxe ao Centro Cultural  São Paulo, em curtíssima temporada, o texto de Suzy Lins de Almeida.  Trabalhando com elementos da dramaturgia trágica, a autora surpreendeu  ao alcançar precisamente o delicado equilíbrio entre o humor e a  reflexão de uma dura realidade brasileira, de forma nada maniqueísta.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><br />
Os destaques de 2011 em direção:</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Márcio Abreu por <em>“Oxigênio”</em><br />
</strong>À frente da Cia. Brasileira de Teatro, de Curitiba, Márcio Abreu deu roupagem de show de rock ao texto do autor russo contemporâneo Ivan Viripaev. Aproveitando ao máximo a força do discurso &#8211; chegando quase ao seu limite do suportável &#8211; e a musicalidade que a dramaturgia propõe, o diretor concebeu uma encenação poderosa.<br />
<em><br />
</em><strong>Nelson Baskerville por <em>“Luis Antonio &#8211; Gabriela”</em><br />
</strong>Mais do que diretor, personagem biográfico desse teatro documentário, Nelson Baskerville optou por acionar mecanismos do teatro pós-dramático na montagem. Criativo em profusão, ele levou para cena sua dramaturgia fragmentada, com distanciamento e recursos diversos que negavam qualquer ilusão de realismo.<em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em><strong>Roberto Alvim por <em>“Pinokio”</em><br />
</strong>Perseguindo uma linguagem dramática em plena ebulição, Roberto Alvim avançou no radicalismo formal que o Club Noir tem como marca. A partir dessa montagem, fundiu irremediavelmente sua estética a uma nova possibilidade de dramaturgia, o que resulta em encenação que destabiliza a compreensão condicionada da natureza humana.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Rodolfo García Vázquez por <em>“Cabaret Stravaganza”</em><br />
</strong>Experimentando múltiplas linguagens, Rodolfo García Vázquez encenou com vigor a  vida contemporânea e tecnologia a partir de manifestações culturais diversas. Entre elas, os festivais da Era Vitoriana, o cabaré, a performance e seus desdobramentos, a instalação audiovisual e o diálogo artístico com meios de comunicação, em especial a internet.<strong><br />
</strong><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em>Confira nessa sexta-feira  (16/12), os destaques do ano: espetáculos.</p>
<p style="text-align: justify;">Foto (“Oxigênio”):  Divulgação</p>
<p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br/destaque/destaques-2011-dramaturgia-e-direcao/">Destaques 2011: dramaturgia e direção</a>
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		<title>Destaques 2011: atores e atrizes</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Dec 2011 16:04:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucianno Maza</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p><p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br">Caderno Teatral</a></p><p>Eles são verdadeiros encantadores de pessoas. Com sua técnica, composição, entrega e inteligência, os intérpretes são o que de mais essencial o teatro possui. Veja agora os Destaques 2011 do Caderno Teatral: atores e atrizes. Por Lucianno Maza São Paulo Os destaques de 2011 &#8211; atores: Ésio Magalhães por “Diário Baldio” Ator camaleônico do Barracão [...]</p></p><p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br/destaque/destaques-2011-atores-e-atrizes/">Destaques 2011: atores e atrizes</a>
</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br">Caderno Teatral</a></p><p>Eles são verdadeiros encantadores de pessoas. Com sua técnica, composição, entrega e inteligência, os intérpretes são o que de mais essencial o teatro possui. Veja agora os <strong>Destaques 2011 do Caderno Teatral</strong>: atores e atrizes.<span id="more-648"></span></p>
<p style="text-align: right;">Por Lucianno Maza<br />
São Paulo</p>
<p><em>Os destaques de 2011 &#8211; atores:</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ésio Magalhães por <em>“Diário Baldio”<br />
</em></strong>Ator camaleônico do Barracão Teatro, de Campinas, Ésio Magalhães mostrava uma  interpretação comovente mesmo por trás de uma máscara. Representando um demente com uma composição física apurada, o ator alternava a docilidade e demência do filho de um ambiente tão duro.</p>
<p><strong>Felipe Carvalhido e Pierre Baitelle por <em>“Hedwig e o Centímetro Enfurecido”</em><br />
</strong>Como dividir entre dois atores uma personagem cuja maior força é justamente a ambiguidade que esta carrega? Fractais, Felipe Carvalhido e Pierre Baitelle assumiram características diferentes nessa proposta do diretor Evandro Mesquita, mas conseguiram apreender em suas interpretações o todo da transexual decadente.</p>
<p><strong>Kiko Mascarenhas por <em>“Os Altruístas”</em><br />
</strong>Em trabalho inesquecível, Kiko Mascarenhas evocava ao mesmo tempo uma grande sexualidade e candura de um homossexual sinceramente afetado e abertamente incômodo. Em performance estilizada, o ator foi o grande destaque da montagem brasileira do texto de Nicky Silver.</p>
<p><strong>Marco Nanini por<em> “Pterodátilos”</em><br />
</strong>Um dos maiores atores vivos de sua geração, Marco Nanini revisitava uma das melhores interpretações de seu repertório recente nessa nova montagem do texto que integrou o programa duplo “Os Solitários”, anos antes. Novamente o ator interpretou de maneira hilária uma adolescente alcoolatra.</p>
<p><strong>Rodrigo Bolzan por <em>“Oxigênio”</em><br />
</strong>Com energia rock’n’roll, pessoal e forte, Rodrigo Bolzan transitava confortavelmente pelas diferentes estruturas de cena &#8211; do discurso ao canto, passando pelos diálogos inflamados com Patrícia Kamis. Visto em atuações épicas com a Cia. do Latão, o ator impressionou dominando seu eclético set list<em>.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Os destaques de 2011 &#8211; atrizes:</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bete Coelho por<em> “Cartas de Amor Para Stálin”</em><br />
</strong>Se transfigurando intensamente em personagem que habita outro &#8211; o ditador soviético Josef Stálin que surge demoníaco da esposa de Mikhail Bulgakov -, Bete Coelho cresce nessa opção cênica do diretor Paulo Dourado de condensar os dois em um só. Com o trabalho, a atriz tem atuação brilhante e cheia da personalidade cênica que a tornou conhecida.</p>
<p><strong>Denise Del Vecchio por <em>“Circuito Ordinário”</em><br />
</strong>Uma das maiores atrizes do teatro brasileiro, Denise Del Vecchio encontrou em uma figura originalmente masculina do texto de Jean-Claude Carrière &#8211; um informante &#8211; , uma personagem a sua altura. Uma grande oportunidade para ver o desempenho da técnica e inteligência cênica da intérprete.</p>
<p><strong>Denise Fraga e Julia Novaes por<em> “Sem Pensar”</em><br />
</strong>Juntas num dos melhores textos internacionais montados em 2011 (de autoria da inglesa Annya Reiss), Denise Fraga mostrou sua faceta realista pouco explorada no teatro, interpretando uma mãe urbana em crise com a família. Já Julia Novaes, se destacou ao atingir com precisão o tom ora apaixonante e ora irritante de sua menina adolescente.</p>
<p><strong>Julia Lemmertz por <em>“Deus da Carnificina”</em><br />
</strong>Outro texto estrangeiro de qualidade, a peça de Yasmina Reza ganhou no Brasil a interpretação bem feita de Julia Lemmertz. Vacilante em sua timidez e algo débil em seu nervosismo, a composição da atriz deu conta das cenas de dissimulação, embate, alcoolismo e até do inesperado vômito de sua personagem.</p>
<p><strong>Juliana Galdino por <em>“Pinokio”</em><br />
</strong>É impossível imaginar outra(s) voz(es) tão perfeita(s) para materializar o complexo sistema dramatúrgico e cênico proposto por Roberto Alvim no Club Noir. Nesse espetáculo,  Juliana Galdino mais uma vez consegue estabelecer o clima e tempo da montagem com sua técnica vocal virtuosa que é posta em cena de forma tão bem delineada.<br />
<em> </em></p>
<p>Confira nessa quinta-feira  (15/12), os destaques do ano em dramaturgia e direção.</p>
<p>Foto (Bete Coelho em “Cartas de Amor Para Stalin”): Divulgação</p>
<p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br/destaque/destaques-2011-atores-e-atrizes/">Destaques 2011: atores e atrizes</a>
</p>]]></content:encoded>
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		<title>Destaques 2011: cenografia, figurino e iluminação</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Dec 2011 18:33:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucianno Maza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques 2011]]></category>

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		<description><![CDATA[<p><p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br">Caderno Teatral</a></p><p>Responsáveis por envolver o público, um time de profissionais contribui de forma definitiva para estabelecer a estética, linguagem e clima de um espetáculo. Confira os Destaques 2011 do Caderno Teatral em cenografia, figurino e iluminação. Por Lucianno Maza São Paulo Destaques 2011 do Caderno Teatral em cenografia: Claudio Hanczyc por &#8220;Disney Killer&#8221; O argentino Claudio [...]</p></p><p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br/destaque/destaques-2011-cenografia-figurino-e-iluminacao/">Destaques 2011: cenografia, figurino e iluminação</a>
</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br">Caderno Teatral</a></p><p>Responsáveis por envolver o público, um time de profissionais contribui de forma definitiva para estabelecer a estética, linguagem e clima de um espetáculo. Confira os <strong>Destaques 2011 do Caderno Teatral </strong>em cenografia, figurino e iluminação.<span id="more-623"></span></p>
<p style="text-align: right;">Por Lucianno Maza<br />
São Paulo<em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Destaques 2011 do Caderno Teatral em cenografia:</em></p>
<p><strong>Claudio Hanczyc por <em>&#8220;Disney Killer&#8221;<br />
</em></strong>O argentino Claudio Hanczyc se apropriou do espaço físico de uma pequena sala no SESC Pompeia e transformou seu projeto arquitetônico, ampliando oticamente sua dimensão para um galpão e revestindo paredes, janelas e chão com texturas que davam um aspecto sujo e caótico bastante realista.</p>
<p><strong>Fernando Marés por <em>&#8220;Oxigênio&#8221;<br />
</em></strong>Com um enorme logotipo do espetáculo ao fundo, o cenário de Fernando Marés para a montagem da Cia. Brasileira de Teatro, de Curitiba, evocava o palco de um show de rock’n’roll.  Preto e inclinado &#8211; o que criou profundidade em níveis-, a cenografia lançava mão ainda de efeitos como a neve e uma abertura que revelava simbólica vegetação seca .</p>
<p><strong>Flávia Soares por<em> &#8220;Cartas de Amor Para Stálin&#8221;<br />
</em></strong>Na cenografia de Flávia Soares, uma casa com móveis de traços retos fazia oposição às paredes assimétricas translúcidas. Assim, cenógrafa e diretor (Paulo Dourado), concebiam o espaço privado &#8211; a residência &#8211; e o público &#8211; as ruas -, amalgamados com os vídeos pesquisados por Gabriel Fernandes  quando a esfera pública tomava as paredes do ambiente privado.</p>
<p><strong>Mira Andrade por <em>&#8220;Circuito Ordinário&#8221;<br />
</em></strong>Seguindo a direção grandiosa de Otávio Martins para o texto de Jean-Claude Carrière, Mira Andrade criou uma enorme plataforma de ferro que ocupava todo o palco do Teatro Anhembi-Morumbi. Televisões e câmeras que tanto têm a ver com a temática da espionagem e delação completavam o cenário muito apoiado, também, na mutação de cores do ciclorama.<em> </em></p>
<p><em><br />
Destaques 2011 do Caderno Teatral em figurino:</em></p>
<p><strong>Cynthia Paulino e Paolo Mandatti por &#8220;A Última Canção de Amor Deste Pequeno Universo&#8221;<br />
</strong>Montagem mineira da Cia. Teatro Adulto que esteve em cartaz no Espaço O Lugar, essa adaptação de “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de J.W.Goethe, tinha como destaque o figurino assinado pela diretora e um dos atores. Peças pretas com rasgos, rendas e um ótimo trabalho em couro, remetiam à juventude e a cert0 sentimento gótico.<strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Daíse Neves por <em>&#8220;Cabaret Stravaganza&#8221;<br />
</em></strong>Para o espetáculo heterogêneo do grupo Os Satyros, Daíse Neves concebeu uma infinidade de figurinos em estilos diferentes para atender cada movimento. \entre estes, peças curiosas adereçadas por metais e que hibridavam os gêneros masculino e feminino, e também outras fluorescentes. Todo esse material terminou muito interessante.</p>
<p><strong>Fábio Namatame por <em>&#8220;Evita&#8221; </em>e <em>&#8220;Cabaret&#8221;<br />
</em></strong>O figurino chama muita atenção em um musical e, seja na biografia peronista ou no romance com a ascensão nazista como pano de fundo, Fábio Namatame trouxe exuberância. Se no espetáculo de Jorge Takla uma pesquisa esmerada se fez ver, ao lado de José Possi Neto o figurinista foi mais livre e criou também modelos extremamente sensuais.</p>
<p><strong>Niúra Bellavinha por<em> &#8220;Cartas de Amor Para Stálin&#8221;<br />
</em></strong>Na sagaz leitura de Niúra Bellavinha da transmutação pela qual passava a atriz Bete Coelho nesse texto de Juan Mayorga, um único vestido acinzentado  era tomado pelo negro enquanto a personagem se aprofundava na vivência do ditador Stálin. Era o mesmo negro dos cabelos da atriz, como o ruivo da cabeça de Ricardo Bittencourt era completado por suas vestes caseiras.<em> </em></p>
<p><em><br />
Destaques 2011 do Caderno Teatral em iluminação:</em></p>
<p><strong>Domingos Quintiliano por <em>&#8220;Crônica da Casa Assassinada&#8221;<br />
</em></strong>A austeridade da iluminação, criada por Domingos Quintiliano, serviu à composição do quadro geral da encenação igualmente austera de Gabriel Vilella para a obra de Lúcio Cardoso. A imponência da luz arquitetural criava a amplitude do espaço físico da casa para, então, dar lugar a feixes menores, mais íntimos e graves como as histórias que se desvelavam em cena.<em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em><strong>Guilherme Bonfanti por <em>&#8220;O Bosque&#8221;<br />
</em></strong>Se montagens sombrias são tendência cada vez mais forte no teatro paulistano, iluminar o escuro não é tarefa fácil. Na montagem desse texto de David Mamet por Alvise Camozzi, Guilherme Bonfanti, ao invés de clarear o espaço, conseguiu escurecê-lo com beleza, contrapondo cores frias a efeitos como os fios iluminados que pendiam do teto.</p>
<p><strong>Marcos Felipe e Nelson Baskerville por <em>&#8220;Luis Antonio &#8211; Gabriela&#8221;<br />
</em></strong>O ator Marcos Felipe e o diretor Nelson Baskerville encontraram inventivas possibilidades para iluminar a multiplicidade de cenas realizadas no espaço alternativo do Centro Cultural São Paulo – onde o espetáculo estreou. Com objetos de iluminação criados e adaptados, o resultado desse material operado pelos próprios atores sintonizou com a proposta de metateatralidade.<br />
<em><br />
</em><strong>Rodolfo Garcia Vázquez por <em>&#8220;Cabaret Stravaganza&#8221;<br />
</em></strong>De estética identificável, o diretor Rodolfo García Vázquez tem como trunfo sua habilidade em iluminação para alcançar cada cena desejada . Cores sortidas e efeitos igualmente variados criam resultado teatral, com o conhecimento de refletores, filtros e afinações, mas também <em>high tech</em> com os aparelhos alternativos de LED.</p>
<p>Confira nessa quarta-feira  (14/12), os destaques do ano nas categorias atores e atrizes.</p>
<p>Foto (&#8220;Cabaret Stravaganza&#8221;):  Bob Sousa</p>
<p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br/destaque/destaques-2011-cenografia-figurino-e-iluminacao/">Destaques 2011: cenografia, figurino e iluminação</a>
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		<title>2011 e os Destaques do Caderno Teatral</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Dec 2011 14:00:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucianno Maza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Editoriais]]></category>

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		<description><![CDATA[<p><p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br">Caderno Teatral</a></p><p>2011 foi um ano de transformações para o Caderno Teatral. O lançamento dos Destaques é mais uma novidade que trazemos ao leitor e conto mais abaixo. Leiam o editorial de final de ano. Entre as principais mudanças neste ano, tivemos toda transferência do site para uma nova plataforma, o que demorou um pouco mais que [...]</p></p><p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br/destaque/2011-e-os-destaques-do-caderno-teatral/">2011 e os Destaques do Caderno Teatral</a>
</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br">Caderno Teatral</a></p><p>2011 foi um ano de transformações para o Caderno Teatral. O lançamento dos Destaques é mais uma novidade que trazemos ao leitor e conto mais abaixo. Leiam o editorial de final de ano.<span id="more-642"></span></p>
<p>Entre as principais mudanças neste ano, tivemos toda transferência do site para uma nova plataforma, o que demorou um pouco mais que o previsto e trouxe alguns transtornos, mas nada que não tenha sido logo contornado. O design também mereceu uma repaginação, buscando mais conforto para a leitura e beleza. Também buscamos uma maior interatividade, fomentando canais de contato com os leitores nas redes sociais Twitter e Facebook. Em toda essa parte contamos com o apoio essencial do Tom Silva.</p>
<p>O mais importante, no entanto, foi traçar um novo formato para nossas críticas. Desejando aprofundar a reflexão teatral e dialogar mais complexamente com o leitor e o fazedor, o tamanho dos textos cresceu e, contrariando as máximas do jornalismo na internet, nosso público não diminuiu, ao contrário: aumentou consideravelmente o número de leitores de cada publicação. Colaboraram para tal sucesso meus parceiros este ano: as críticas Andrea Carvalho Starck, do Rio de Janeiro, e Julia Guimarães, de Belo Horizonte, além do fotógrafo Bob Sousa, de São Paulo.</p>
<p>A transformação continua. Ainda há muito a ser feito para que o site se torne cada vez mais interessante, agradável e sustentável &#8211; nossa grande meta para o próximo ano.</p>
<p><em>Destaques 2011</em></p>
<p>Muitas pessoas são afeitas a listas e balanços de final de ano, é uma forma de repensar tudo que foi feito ou visto de mais marcante. Aqui no site decidimos fazer nossa lista pela primeira vez (em outros anos eu selecionei para outros veículos em que trabalhei), uma lista com os Destaques 2011 do Caderno Teatral.</p>
<p>À saber: este ano, entre montagens nacionais e internacionais, assistidas em São Paulo, Rio de Janeiro e em festivais de outras cidades, assisti quase 160 espetáculos. Nessa seleção de destaques, me ative apenas aos que se apresentaram pela primeira vez em São Paulo em 2011 (excluindo portanto as reestreias recentes ou não).</p>
<p>Enquadradas nas características definidas, assisti  55 produções até o momento de fechar essa seleção.  Vale dizer também que passei boa parte do primeiro semestre no Rio de Janeiro. Sendo assim, deixo claro que,  apesar do esforço em assistir o máximo da produção paulistana neste ano &#8211; e fico feliz com o número alcançado -, infelizmente foi impossível conferir todas as peças e elas ficaram de fora dessa seleção.</p>
<p>Como editor e crítico responsável pela cobertura de São Paulo do site, escolhi de 4 a 6 destaques em diferentes categorias, de cenografia à espetáculo, que serão publicadas aqui no Caderno Teatral diariamente durante toda essa semana.</p>
<p>Confira a programação das publicações:</p>
<p>13/12 (terça-feira) &#8211; Destaques 2011 Caderno Teatral:  cenografia, figurino e iluminação<br />
14/12 (quarta-feira) &#8211; Destaques 2011 Caderno Teatral: atores e atrizes<br />
15/12 (quinta-feira) &#8211; Destaques 2011 Caderno Teatral: dramaturgia e direção<br />
16/12 (sexta-feira) &#8211; Destaques 2011 Caderno Teatral: espetáculos</p>
<p>Convido os leitores ao diálogo: utilizem a caixa de comentários logo abaixo de cada matéria para dar sua opinião &#8211; se assistiu algum dos destacados, se concorda ou não com a lista, ou se indicaria outros trabalhos. A colaboração de vocês é muito bem vinda!</p>
<p>Em 2012 voltamos com o Caderno Teatral para seu quarto ano de atividades e traremos, meus colaboradores e eu, muito mais reflexões sobre o teatro brasileiro e a produção contemporânea.</p>
<p>Tenham todos um ótimo ano novo!</p>
<p>Lucianno Maza.</p>
<p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br/destaque/2011-e-os-destaques-do-caderno-teatral/">2011 e os Destaques do Caderno Teatral</a>
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		<title>Memória da matéria humana</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Nov 2011 21:26:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucianno Maza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[O Jardim]]></category>

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		<description><![CDATA[<p><p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br">Caderno Teatral</a></p><p>A Cia. Hiato de São Paulo encena no Rio de Janeiro &#8220;O Jardim&#8221; de Leonardo Moreira &#8211; premiado com o Prêmio Shell de melhor autor em 2010 por seu penúltimo espetáculo. A montagem leva a plateia a um verdadeiro deslumbramento estético e emotivo.  Leia a crítica. Por Andrea Carvalho Stark Rio de Janeiro Criada em [...]</p></p><p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br/destaque/memoria-da-materia-humana/">Memória da matéria humana</a>
</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br">Caderno Teatral</a></p><p style="text-align: justify;">A Cia. Hiato de São Paulo encena no Rio de Janeiro <strong>&#8220;O Jardim&#8221;</strong> de Leonardo Moreira &#8211; premiado com o Prêmio Shell de melhor autor em 2010 por seu penúltimo espetáculo. A montagem leva a plateia a um verdadeiro deslumbramento estético e emotivo.  Leia a crítica.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-609"></span>Por Andrea Carvalho Stark<br />
Rio de Janeiro</p>
<p style="text-align: justify;">Criada em 2008, a paulistana Cia. Hiato vem consolidando uma trajetória de espetáculos autorais em um repertório dramatúrgico e cênico bastante inovador. Tal inovação vem sendo reconhecida pelo público e crítica e se reflete nos vários prêmios que o grupo vem conquistando, como o <em>Prêmio Shell</em> pelo texto, cenário e figurino de <em>“Escuro”</em> &#8211; seu trabalho anterior. Com a bagagem de uma temporada calorosa em São Paulo e indicações a prêmios, o grupo traz para o Rio de Janeiro <strong>“O Jardim”</strong>, com dramaturgia e direção de Leonardo Moreira, um dos nomes mais reconhecidos na safra de jovens dramaturgos brasileiros.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1938,  o jovem Thiago e a polonesa Fernanda acabam de comprar uma  casa, mas estão se separando. Ele ainda planeja a construção de um  jardim na casa, mas sem ela, e sim na companhia de outra mulher.  Em  1979,  Thiago é levado para o asilo por suas duas filhas, Luciana, uma  atriz que chega da França para auxiliar a irmã Maria Amélia, grávida de  Aline. Ambas estão preparando uma festa de aniversário para o pai, que  tem ares mais de despedida do que de celebração. O pai, ausente de tudo  por perda de memória, não fala e pouco reage às duas filhas, mas se move  de acordo com os impulsos de suas lembranças primárias e restantes.  Em  2011, Aline, a neta de Thiago e filha de Maria Amélia, está  prestes a  perder a casa por causa de alguns poloneses que clamam sua posse. Junto à  empregada Amanda, elas gravam um vídeo de despedida para dona Maria  Amelia, falecida recentemente, no qual confirmam a posse da casa e  relembram histórias de família.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>O verde solo da memória</em></p>
<p style="text-align: justify;">O jardim do título é o motivo dos encontros e desencontros dos personagens que representam gerações de uma mesma família. Em cada tempo, elas desvelam suas memórias, revelando objetos, lembranças, canções, gestos, falas, conflitos. É ali que as coisas nascem, crescem e morrem, no inevitável movimento da vida. Todos estão em um jardim, de solo verde e  permeado por caixas de guardados por todos os lados.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas três cenas do espetáculo, com cerca de 30 minutos cada, a sequência    temporal é determinada pelo lugar em que o espectador está localizado.    Não são histórias isoladas,  encontramos diálogos e interferências,    assim como as diversas camadas da memória. É uma peça sobre a memória,   mas, também, é sobre o humano e sua história  que se constrói à revelia   de si mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Carpintaria da palavra</em></p>
<p style="text-align: justify;">O texto traz resultados da construção coletiva e colaborativa. A companhia em seu trabalho criativo fez uso de inspiradoras fontes, como a cena da <em>madeleine</em> no romance  <em>“Em busca do Tempo Perdido”</em>, de <em>Marcel  Proust</em>; depoimentos recolhidos  em visitas a asilos e casas de repouso; as teorias do neurologista <em>Eric M. Kandel</em>, sobre  processos biológicos de memória e aprendizado; fotografias de <em>Philip Toledano</em>; depoimentos  verídicos de um esquizofrênico e outros pessoais dos atores-criadores; assim como o trabalho com instituições dedicadas ao tratamento e prevenção do Mal de Alzheimer. Além dessas referências, que são divulgadas no release do espetáculo, também acrescentaríamos a simbologia do jardim próxima da que também encontramos em <em>“O Jardim das Cerejeiras” </em>de <em>Anton Tchekhov</em>, no sentido de que salvando o jardim, salva-se a história.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas todas essas referências teóricas e de base de construção para o espetáculo não são evidentes na narrativa cênica final, pois o espetáculo não estabelece essas intertextualidades óbvias e mesmo o fato do Alzheimer é bastante diluído, não fica evidente, o que acaba por criar uma abordagem não didática sobre o tema.</p>
<p style="text-align: justify;">O texto, antes de ser uma sequência de diálogos e histórias, é como um quebra-cabeça que se encaixa sintática e semanticamente. Os diálogos são simples, nem um pouco rebuscados ou melosos, com algumas inserções de frases poéticas, mas na medida certa. Apesar do tempo diverso retratado, não há palavras relacionadas a uma determinada época. Tudo é bastante comunicável, claro e límpido. O autor constrói uma estrutura dramática de significativo encaixe, como as caixas que se encaixam no cenário, como a metonímia da memória por meio de camadas encaixadas na lembrança. São três histórias que são uma só e milhares, pois essa construção é feita mais pela plateia do que pelo texto em si ou pela sua encenação.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Encaixando o texto à cena</em></p>
<p style="text-align: justify;">A direção do próprio dramaturgo não se confunde em nenhum momento. É parte da linguagem que o texto imprime e vice-versa. Não se pode imaginar um distanciamento. É palavra e ação ao mesmo ritmo. Uma linguagem que já se ensaiava em outros espetáculos do grupo, do simples, essencial ao poético em cena. Linguagem que se encaixa com o movimento, outros aspectos da cena, e que é cena apesar de inevitáveis marcas de uma literatura própria. Uma peça sobre a memória poderia ser estática e lenta, mas aqui se constrói nesse movimento de ir e vir, entradas e saídas, estar e partir, pulsando e se retraindo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>As personagens e as personas</em></p>
<p style="text-align: justify;">As personagens, que assumem o primeiro nome de seus intérpretes, evidenciam assim uma característica dos textos do dramaturgo Moreira. Essa escolha também parece sinalizar uma característica na construção do trabalho: o intercâmbio entre as memórias reais dos atores e as construídas em termos de ficção no espetáculo.</p>
<p style="text-align: justify;">O elenco atua em personagens com seus próprios nomes &#8211; característica nos trabalhos da companhia. Aline Filócomo, Fernanda Stefanski, Luciana Paes, Maria Amélia Farah, Amanda Lyra (assistente de direção e stand in de Paula Picarelli) e Thiago Amaral formam o grupo que conta com Edison Simão como ator convidado que representa Thiago mais velho. São ótimos atores e atrizes que valorizam a cena com gestos, falas, a organizada ocupação de um terço de um espaço e com o tom da ação .</p>
<p style="text-align: justify;">Dentre o elenco podemos destacar que Lyra executa plenamente os poucos momentos de humor cáustico de sua personagem, assim como Paes e Filócomo que se destacam com o humor irônico que imprime às cenas.</p>
<p style="text-align: justify;">Simão, no papel do pai mais velho, emociona em um trabalho magistral, onde não fala verbalmente, mas profere um profundo discurso em seu corpo e em cada um de seus mínimos movimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Já Stefanski, que representa a personagem polonesa, poderia trabalhar mais o sotaque, e melhorar sua projeção de voz, pois se torna inaudível em alguns momentos.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Movimentos cênicos<br />
</em></p>
<p style="text-align: justify;">No palco, apenas caixas.  Caixas com identificações de seu conteúdo. As caixas se movem no inicio demarcando os espaços da encenação. O movimento das caixas, no cenário e sob a luz de Marisa Bentivegna, imprime o primeiro ritmo, o do movimento dos próprios acontecimentos. As caixas são abertas lançando objetos do tempo. Mas também lançam os tempos nessa interseção de espaços. Em uma cena, podemos ouvir e enxergar como voyeur uma outra que está acontecendo ao mesmo momento, para quem está sentado na plateia oposta. Esse movimento voyeur acontece quando algumas caixas são retiradas, abrindo pequenas janelas nas paredes por onde se derramam as outras cenas.</p>
<p style="text-align: justify;">Os figurinos de Theodoro Cochrane são exatos nessa mistura de tempos, demarcando flores nas estampas e cores, como se cada personagem fosse brotando de cada tempo-jardim. Como se cada primavera estivesse presente. Há também, referência ao tempo de cada história por meio de objetos também significativos que nos remetem a uma época longínqua. A música sensível e discreta, de Marcelo Pellegrini, também cria esse clima de demarcação de tempo e personagens em um espaço.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O Jardim</strong><br />
Quinta a domingo, às 19h30. Até 13/11.<br />
Caixa Cultural (Teatro de Arena) &#8211; Av. Almirante Barroso, 25; (21) 2544-4080.<br />
R$ 12,00.</p>
<p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br/destaque/memoria-da-materia-humana/">Memória da matéria humana</a>
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		<title>Curioso espetáculo</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Sep 2011 20:41:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucianno Maza</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Cão]]></category>

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		<description><![CDATA[<p><p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br">Caderno Teatral</a></p><p>O jovem Núcleo 1408 se lança em pesquisa sobre a condição feminina e masculina em &#8220;Cão&#8221;. Fundamentado em dramaturgia formalmente tradicional, é na força de sua interpretação que está o trunfo do trabalho desse grupo promissor. Leia a crítica. Por Lucianno Maza São Paulo Oriundos, em parte, da extinta Escola de Atores Ewerton de Castro [...]</p></p><p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br/destaque/curioso-espetaculo/">Curioso espetáculo</a>
</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br">Caderno Teatral</a></p><p>O jovem Núcleo 1408 se lança em pesquisa sobre a condição feminina e masculina em<strong> &#8220;Cão&#8221;</strong>. Fundamentado em dramaturgia formalmente tradicional, é na força de sua interpretação que está o trunfo do trabalho desse grupo promissor. Leia a crítica.<span id="more-602"></span></p>
<p style="text-align: right;">Por Lucianno Maza<br />
São Paulo</p>
<p>Oriundos, em parte, da extinta Escola de Atores Ewerton de Castro e da Escola de Atores Célia Helena, o Núcleo 1408 &#8211; Companhia de Teatro Invenção está há seis anos no mercado teatral paulistano, tendo passado por diferentes fases que incluíram a encenação de textos clássicos (como o recente <em>“Calígula”</em> de Albert Camus) e dramaturgias próprias com forte teor histórico (caso do espetáculo de estreia <em>“Os Assassinos de Inês de Castro”</em>). Saindo do circuito mais alternativo e agora olhando para o próprio tempo, o grupo estreia nova fase e deixa de lado as grandes histórias com conflitos trágicos para investir numa trama sobre o mundo contemporâneo em <strong>“Cão”</strong>.</p>
<p>A história mostra uma mulher jovem e bem sucedida, cuja ascensão profissional fez seu marido se sentir inferior a ponto de desenvolver uma doença psiquiátrica rara chamada Licantropia Clínica, onde o enfermo se acredita um animal &#8211; no caso em questão, um cachorro. O jogo de poder entre os dois se estabelece. Afinal de contas, quem é mais forte? A esposa altiva ou o marido-cão que pode colocar a perder tudo que a mulher conquistou e cuja dependência emocional e material, tal qual um cachorro de verdade, a obriga dedicar tempo (a maior riqueza do mundo atual) em sua atenção?</p>
<p><em>Evolução feminina e masculina</em></p>
<p>Novamente o homem é a ruína da mulher, até que ela faça a escolha que parece o grande dilema moral e humano do gênero pós-revolução feminina: seguir a sensibilidade emocional  ou abdicá-la pela razão e objetividade. Do outro lado, o homem perdido frente a emancipação da mulher e seu poder de escolha, parece não ver sentido em viver fora da reprodução histórica de relacionamento de homem e mulher e sua fragilidade é finalmente exposta. Mas, diferente do movimento feminino do passado, os homens não têm um inimigo a vencer, e sim a si mesmos a se compreender. Seria então necessária uma revolução masculina para que, um novo homem encontrasse essa nova mulher e, assim, invés de revoluções, buscassem juntos uma evolução humana.</p>
<p>O texto de Rui Xavier se atém ao que temos hoje, esse período entre a revolução feminina e a desolação masculina travestida em doença. Sua maior qualidade nesse sentido é a forma como coloca a questão de forma menos maniqueísta que em geral e foca a discussão nesse enfrentamento dos momentos de cada gênero e não somente (embora, também) a repetição de paradigmas feministas a respeito do espaço conquistado e a conquistar pela mulher &#8211; poderosa sim, mas ainda menos que a maioria dos homens que desejam se equiparar ou, em sua sede, superar.</p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Latidos ‘falam’ mais alto</em></p>
<p>A dramaturgia pretende honestamente que esta discussão se estabeleça. No entanto, o foco recai fatalmente sobre o curioso caso do homem que se pensa cão. Os dois conteúdos tão fortes (a condição feminina e masculina e a demência da Licantropia Clínica) são amalgamados de forma mais ou menos eficiente, mas o uso de já conhecidas e reconhecíveis constatações sobre o primeiro são desbancadas pela irreverência e certa novidade do primeiro.</p>
<p>Talvez para rebater isso, o autor criou dois momentos distintos em sua obra. A primeira parte é justamente dedicada a um monólogo onde a mulher expõe (não se sabe ao certo para quem) seu drama, contando a história de sua vida, de seu casamento com Mário e de um cachorro que tiveram. Este segmento, por vezes, resvala em um tom discursivo sincero, mas algo panfletário. O preâmbulo detém cerca de dois terços do texto, o que colabora para que a cena seja consideravelmente enfadonha.</p>
<p>É preciso atravessar essa primeira parte para chegar ao cerne que realmente interessa na obra, quando o conflito da mulher com o homem-cão se dá pela ação cênica e pela memória evocada por ela. Nesse momento Xavier exibe sua qualidade dramatúrgica para além da exposição de conteúdo por meio do discurso, conseguindo trabalhar muito bem esses dois planos: o da ação e da memória, e usa as intervenções do personagem transfigurado como cortes na narrativa linear que a protagonista faz. Finalmente então, o autor consegue seu intento e a reflexão sobre homem e mulher se dá.</p>
<p><em>Boas composições</em></p>
<p>É o autor que dá vida ao personagem do marido que se crê cachorro. Sua composição canina atinge um requinte assombroso, pois consegue compreender no corpo físico humano a postura do animal e, especialmente, o olhar agitado de um cão atento a tudo a sua volta no ambiente. Somente quando sai desse tão bem estruturado corpo animalesco para falar como homem que Xavier carece de mais força e rapidez &#8211; afinal transitar por esses estados tão distintos demanda lapidação e certo distanciamento a ser conquistados.</p>
<p>Se o ator se destaca por sua composição física, Hévelin Gonçalves merece reconhecimento por um controle verborrágico nada desprezível. A atriz domina a cena com segurança, percorrendo velozmente as memórias de sua personagem e imprimindo o terror em sua voz e olhar. O que lhe falta, de certa forma, é aproveitar mais dos momentos de humor crítico que a personagem propõe quando se pensa nessa situação tão estúpida, afinal de contas uma mulher com sua formação intelectual teria consciência cômica do ridículo de tanto desespero.</p>
<p>A talentosa dupla se complementa &#8211; ele corpo, ela voz &#8211;  e eletriza a cena na segunda parte do texto, tornando uma interessante experiência cênica assistir ao espetáculo.</p>
<p><em>Olhar de dentro. Olhar de fora</em></p>
<p>Constituída pelos atores Xavier, Gonçalves e Samya Enes (desta vez fora de cena), o grupo experimenta a partir desse trabalho uma nova configuração de estrutura cênica, renunciando a figura do diretor para propor uma criação coletiva pelos três. No atual espetáculo, Enes assina sua participação como <em>“olhar externo”</em>, nomenclatura que define a criadora que colabora com a dupla de atores de fora da cena sem impor resoluções como numa direção convencional. Novas experiências nesse sentido são justas, ainda que a visão ‘textocêntrica’ do grupo acabe, possivelmente, impondo ao autor uma parcela maior no processo criativo que certamente se torna determinante na prática da montagem.</p>
<p>Seja como for, essa possibilidade é nova para o grupo e pode ser amadurecida em seus próximos trabalhos, conquistando uma consistência que ainda faz falta aqui. O resultado demanda excelência artística e técnica cuja dupla de atores, de dentro da cena, e a cocriadora, com seu olhar externo, não alcançaram, deixando passar pontos criativos importantes como os tempos de cena perdidos e o humor &#8211; que existe &#8211; desperdiçado. Tecnicamente, uma atenção firme para questões da encenação como marcas no espaço e as soluções cênicas também fez falta. O grande desafio próximo, portanto, é dar conta de todos os elementos de um espetáculo com igual maestria para além das interpretações. Prestemos atenção em como esse grupo promissor evoluirá nesse aspecto.</p>
<p>Não obstante isso, o grupo é responsável, também por outros setores, o figurino, por exemplo, é criação da atriz. Golçalves concebe um visual correto para sua personagem, esboçando sobriedade e certa qualidade na vestimenta, no entanto, o conceito utilizado no homem-cão &#8211; que veste uma insípida cueca samba-canção &#8211; não carrega qualquer simbolismo ou representatividade. Já o cenário de Xavier aposta no uso de uma tela e a projeção de efeitos de pintura, mas não há qualquer relação viável entre isso e a cena, se tornando um objeto a parte e que, por suas dimensões modestas, também não causa impacto visual.</p>
<p>Alexandre Lavorini é responsável pela iluminação que, para a cena é extremamente simples, e cuja opção por iluminar todo espaço &#8211; incluindo a plateia &#8211; não proporciona nenhuma reação ao espectador.</p>
<p><strong>Cão<br />
</strong>Quinta e sexta, às 21h. Até 30 de Setembro.<br />
SESC Consolação (Espaço Beta) &#8211; Rua Dr.Vila Nova, 245; (11) 3234-3000.<br />
R$ 10,00.</p>
<p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br/destaque/curioso-espetaculo/">Curioso espetáculo</a>
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		<title>Tragédia urgente de uma realidade sem amor</title>
		<link>http://www.cadernoteatral.com.br/destaque/tragedia-urgente-de-uma-realidade-sem-amor/</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Sep 2011 20:08:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucianno Maza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[II Festival Brasileiro de Teatro Toni Cunha]]></category>
		<category><![CDATA[Meire Love - Uma Tragédia Lúdica]]></category>

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		<description><![CDATA[<p><p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br">Caderno Teatral</a></p><p>O Grupo Bagaceira de Teatro de Fortaleza, Ceará, apresenta obra-prima sobre a realidade da prostituição infantil no Brasil no imperdível &#8220;Meire Love &#8211; Uma Tragédia Lúdica&#8221;. Leia a crítica. Por Lucianno Maza São Paulo Hoje coletivo teatral mais reconhecido da cidade de Fortaleza, no Ceará, o Grupo Bagaceira de Teatro vem consolidando ao longo de [...]</p></p><p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br/destaque/tragedia-urgente-de-uma-realidade-sem-amor/">Tragédia urgente de uma realidade sem amor</a>
</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br">Caderno Teatral</a></p><p>O Grupo Bagaceira de Teatro de Fortaleza, Ceará, apresenta obra-prima sobre a realidade da prostituição infantil no Brasil no imperdível <strong>&#8220;Meire Love &#8211; Uma Tragédia Lúdica&#8221;</strong>. Leia a crítica.<span id="more-592"></span></p>
<p style="text-align: right;">Por Lucianno Maza<br />
São Paulo</p>
<p>Hoje coletivo teatral mais reconhecido da cidade de Fortaleza, no Ceará, o Grupo Bagaceira de Teatro vem consolidando ao longo de seus onze anos de trajetória um repertório eclético que passa pelo drama, a comédia, o teatro experimental e o infantil. É possível dizer que todas essas vertentes se encontram, em menor ou maior grau em <strong><em>“Meire Love &#8211; Uma Tragédia Lúdica”.</em></strong></p>
<p>O texto conta a história de três meninas prostituídas com idade entre onze e treze anos. Jovens sem referências familiares que buscam em seus sonhos a mesma felicidade que elas acreditam ter sido alcançada por outra colega (similar e duplo delas) que fora levada por um cliente estrangeiro. Sem consciência de suas próprias condições, as personagens não são martirizadas, ao contrário, usam-se do instinto de sobrevivência e de artimanhas como o entorpecimento por meio das drogas para suportar e atravessar dias e noites de solidão só compartilhada por outras iguais &#8211; amigas na marginalidade compartilhada e rivais nas pequenas disputas do cotidiano.</p>
<p><em>Lúdico, mas nem tanto</em></p>
<p>A ludicidade esperançosa que possuem descende de certa inocência que insiste em contaminar suas mentes. São prostitutas que brincam de boneca, fãs de música pop abusadas em troca de cerveja. Esperam que um príncipe as salve, mas os príncipes não são mais encantados filhos de reis, mas turistas sexuais, gringos, que com o poder da moeda as tirariam de suas próprias vidas e as levariam para o outro lado do oceano &#8211; sem devolvê-las. “Love”, dizem elas, para se referir aos homens grotescos por quem pegam alguma afeição como tentativa de salvação, numa existência que, de fato, não tem nenhum amor.</p>
<p>O espetáculo, estreado em 2006, é um contundente exercício estético e narrativo sobre uma realidade brutal e esmaecida: a prostituição infantil, essa chaga incômoda e ignorada da sociedade brasileira, presente, sobretudo, em cidades turísticas e ou economicamente fragilizadas, como é o caso da região do Nordeste brasileiro, onde o turismo sexual e a consequente exploração de meninas são abundantes pela pobreza do povo e a falta de combate dos poderes governantes.</p>
<p>Trabalho urgente a ser assistido, é pela incorreção da arte que expõe e coloca a realidade contemporânea e evitada pelas pessoas, para ser assistida e pensada por elas. Renegando a politização do discurso, se torna obra de arte e veículo para o debate social.</p>
<p><em>Tragédia</em></p>
<p>É preciso não se enganar com o tom inicialmente cômico do texto de Suzy Élida Lins que tira proveito do ritmo da prosódia do sotaque e das gírias locais (que soam engraçadas para o público de outras regiões do país) e de citações populares pertinentes ao universo que retrata. O texto consistente evoca uma reflexão séria por um caminho não maniqueísta e, sim, corrosivamente engraçado em alguns momentos, provocando incômodo na crueza real que apresenta a história sem julgá-la.</p>
<p>A autora domina o linguajar do universo que retrata e trabalha com alguns elementos reconhecíveis da tragédia grega, como a presença do oráculo representado na história por uma mãe de santo e seus búzios que anunciam a desgraça fadada à personagem desterrada. Bem como na morte do amado oculto provocada indiretamente pela heroína sofredora.</p>
<p>Também na estrutura bem construída, Élida parece transformar as três vozes (apresentadas por Meire 1, Meire 2 e Meire 3) em espécie de coro de uma mesma coriféia (a Meire que se foi). De certa forma, as quatro são partes do mesmo todo, fragmentos de um único discurso, uma única história que se repete nelas e em tantas outras personagens reais que perdem suas identidades particulares.</p>
<p><em>Encenação seca</em></p>
<p>A direção da autora e de Yuri Yamamoto provoca estranheza que corrobora o estado que a dramaturgia propõe. Dispensando o realismo e a ação dramática convencional, a encenação sofisticada em sua secura, coloca em cena três bancos onde se sentam três homens. São esses atores que, voltados para a plateia, dizem o texto intensamente, inflando com sopros de vida sonhos-plásticos infantis que, resquícios de inocência e imaginação, ao fim, serão estourados, destruídos, perdidos na formação de amadurecimento das personagens.</p>
<p>O distanciamento com o qual a história é contada pela encenação, de certa forma suaviza a agressão com o impacto emocional da história, o que ajuda a comunica-la para um público mais amplo. No entanto, essa mesma opção realmente provoca intelectualmente pela narração e imageticamente pela imaginação do espectador, tal qual a tragédia grega se valia para falar de ações tão duras e violentas que não poderiam ser mostradas ou vividas em cena, mas contadas com distância solene e menor interação emocional pelos atores.</p>
<p><em>Potência de atuações</em></p>
<p>Em cena, Yamamoto, Rafael Martins e Rogério Mesquita dão vida às três vozes-personagens, em irrepreensível trabalho técnico de precisão vocal e contenção física e emotiva. Yamamoto, uma figura forte, oriental e nordestina, tem total aproveitamento de sua verborragia, resultando em ótimo trabalho, assim como Martins que, em excelente momento, provoca comoção quando sua personagem revela a perda daquele que para ela é seu grande amor. Mesquita, em interferências um pouco menores, destaca-se pela indigesta estranheza que evoca sua personagem ensandecida.</p>
<p>O trio de atores veste ternos e bustiês femininos organizados pelo diretor, também responsável pelo cenário &#8211; um tablado que vira cais para o mar de sonhos (sacos plásticos). A simplicidade objetiva da iluminação de Paula Yemanjá e Rogério Mesquita acentua a dureza e geometria da encenação.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Meire Love &#8211; Uma Tragédia Lúdica</strong><br />
Sexta e sábado, às 21h e domingo, às 20h &#8211; Até 25 de Setembro.<br />
Centro Cultural São Paulo &#8211; Rua Vergueiro, 1000; (11) 3397-4002<br />
Entrada franca</p>
<p style="text-align: left;">Espetáculo assistido no II Festival Brasileiro de Teatro Toni Cunha em Itajaí (SC).<br />
Foto de Núbia Abe.</p>
<p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br/destaque/tragedia-urgente-de-uma-realidade-sem-amor/">Tragédia urgente de uma realidade sem amor</a>
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		<title>Sem medo de falar de sentimentos</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Aug 2011 16:59:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucianno Maza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Ciranda]]></category>

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		<description><![CDATA[<p><p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br">Caderno Teatral</a></p><p>A dramaturga Célia Regina Forte estreia sua segunda peça transbordando em emoção a história de três gerações de mulheres de uma mesma família. “Ciranda” é  um espetáculo delicado a ser assistido. Leia a crítica. Por Lucianno Maza São Paulo O conflito entre mãe e filha é tema recorrente na dramaturgia desde a personagem trágica grega [...]</p></p><p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br/destaque/sem-medo-de-falar-de-sentimentos/">Sem medo de falar de sentimentos</a>
</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br">Caderno Teatral</a></p><p>A dramaturga Célia Regina Forte estreia sua segunda peça transbordando em emoção a história de três gerações de mulheres de uma mesma família. <strong>“Ciranda”</strong> é  um espetáculo delicado a ser assistido. Leia a crítica.<em><span id="more-583"></span></em></p>
<p style="text-align: right;">Por Lucianno Maza<br />
São Paulo</p>
<p>O conflito entre mãe e filha é tema recorrente na dramaturgia desde a personagem trágica grega Electra e sua genitora, Clitemnestra. A maldição da incompreensão que parece assolar os dramas geracionais, ganha contornos passionais quando se trata de mãe e filha em disputa para mostrar quem é a mais forte. Esse mote é revisto em novo espetáculo que leva à cena a história de uma mulher que não compreende sua mãe e será incompreendida por sua filha.</p>
<p>Essa mulher é Boina, uma executiva sofisticada que relaciona o êxito de sua vida com o poder econômico e o consequente abandono dos sentimentos. Ela trava uma interminável briga com sua mãe, Lena, uma eterna hippie que leva a vida com descompromissada leveza &#8211; crime capital para sua filha. Tão diferentes uma de outra, parecem não se entender em nada, a não ser no amor por outra mulher da família, Sara, a filha de Boina e neta de Lena. Abandonada pela mãe e criada por sua avó, é Sara quem, inconscientemente, as unirá quando a mãe tiver que fugir do país e quando a avó morrer. O reencontro anos depois de Boina com sua filha a relembrará da mãe &#8211; a que teve e a quem se transformou agora. Está armada a <strong>“Ciranda”</strong> de Célia Regina Forte, um texto a ser assistido.</p>
<p><em>Delicada dramaturgia</em></p>
<p>Quando se revelou dramaturga há alguns anos atrás no hilariante <em>“Amigas, Pero No Mucho”</em>, a autora mostrou conhecer bem o universo feminino e o melhor e pior das mulheres numa comédia cheia de ironias &#8211; que ganhou ainda mais na ideia de (bons) atores fazendo as personagens femininas. Agora, em sua segunda peça, Forte mantém o humor agridoce, mas deixa as gargalhadas rascantes de lado para alcançar o riso mais leve e lágrimas sensíveis.</p>
<p>Com um argumento de trama ousada que vai da comédia de situação ao melodrama, passando com êxito pelo drama familiar, a autora mostra que amadureceu. Sem repreender as emoções, desenvolve a história da tríade avó-mãe-filha de forma absolutamente tocante, com diálogos ricos e cativantes. Despudoradamente emotivo e emocionante, o texto passa longe do pueril e comunica profundamente com o público que tem suas memórias e sentimentos reavivados pela singela e poderosa história.</p>
<p><em>Direção deixa que o texto fale por si</em></p>
<p>José Possi Neto dirige o espetáculo de forma discreta, focando nas relações traçadas dentro de uma chave realista que exige força para amarrar as cenas. À algumas dessas, no entanto, faltam maior consistência em sua transposição para o palco e o diretor acaba fazendo com que o texto se transmita praticamente sozinho &#8211; o que, ao menos, garante a apreensão pelo público. Possi coloca ainda uma incompreensível contrarregra ornada com luzes pisca-pisca que efetua as poucas alterações do cenário, uma interferência que ralenta o ritmo.</p>
<p><em>Atrizes equilibram-se</em></p>
<p>No elenco, Tania Bondezan está consideravelmente melhor em sua primeira personagem &#8211; a bonachona mãe e avó -; parecendo ainda tatear o arco dramático implícito da mulher cuja arrogância a vida tratou de destruir. Já Daniela Galli está bem em suas duas participações, especialmente mais exuberante como a desencanada filha e neta &#8211; o que equilibra as cenas com sua companheira. Ainda que Galli encontre maior compreensão e domínio da refinada e auto oprimida Boina, essa mulher dividida pelas duas atrizes precisa ser mais amadurecida por ambas; uma precisa deter também a parte da outra, para que a personagem surja inteira já no início e também no final, o que deve acontecer ao longo da vida do espetáculo.</p>
<p>O cenário de Fábio Namatame é composto por paredes de tecido estampado com um sem-número de objetos de decoração dos anos 70 sobre fundo vermelho, revelando uma boa pesquisa iconográfica da época e estabelecendo o ambiente<em> kitsch</em> necessário. Assinando também os figurinos coerentes, Namatame arrisca em peças mais <em>fashion </em>para a jovem mulher de negócios, carecendo de acabamento mais sofisticado. A iluminação de Wagner Freire é correta e atende à proposta, assim como a trilha sonora eficiente de Tunica Teixeira e Aline Meyer.</p>
<p><strong>Ciranda<br />
</strong>Sexta e sábado, às 21h e domingo, às 18h &#8211; Até 28 de Agosto.<br />
Teatro Eva Herz &#8211; Avenida Paulista, 2.073, Conjunto Nacional; (11) 3170-4059<br />
R$ 40,00 e R$ 50,00.</p>
<p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br/destaque/sem-medo-de-falar-de-sentimentos/">Sem medo de falar de sentimentos</a>
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		<title>Especial FIT &#8211; São José do Rio Preto</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jul 2011 15:00:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucianno Maza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[A Dócil]]></category>
		<category><![CDATA[Gardenia]]></category>
		<category><![CDATA[Meire Love - Uma Tragédia Lúdica]]></category>
		<category><![CDATA[Onde Você Estava No Dia Oito de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Savana Glacial]]></category>
		<category><![CDATA[Se Uma Janela Se Abrisse]]></category>
		<category><![CDATA[Sua Incelença Ricardo III]]></category>

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		<description><![CDATA[<p><p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br">Caderno Teatral</a></p><p>A cena do Irã, a dança-teatro belga e a dramaturgia de Portugal se encontraram com grupos do Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e São Paulo na programação do FIT &#8211; Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto em 2011. Leia as críticas. Por Lucianno Maza e Julia Guimarães São [...]</p></p><p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br/destaque/especial-fit-sao-jose-do-rio-preto/">Especial FIT &#8211; São José do Rio Preto</a>
</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br">Caderno Teatral</a></p><p style="text-align: justify;">A cena do Irã, a dança-teatro belga e a dramaturgia de Portugal se encontraram com grupos do Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e São Paulo na programação do <strong>FIT &#8211; Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto</strong> em 2011. Leia as críticas.<span id="more-559"></span></p>
<p style="text-align: right;">Por Lucianno Maza e Julia Guimarães<br />
São José do Rio Preto</p>
<p style="text-align: justify;">Em sua edição do ano passado, o <strong>FIT &#8211; Rio Preto</strong> surpreendeu com uma programação que investigava os limites mais radicais do teatro contemporâneo. Agora, em 2011, o festival pareceu ter se voltado a uma linearidade maior com espetáculos bem sucedidos em seus intentos, mas mais próximos das convenções. Sem obscuridades, a lista de peças nacionais incluiu montagens já vistas em temporadas de sucesso no eixo São Paulo &#8211; Rio de Janeiro e algumas boas surpresas do Nordeste; já entre os espetáculos internacionais, as atenções se voltaram para a montagem iraniana, mas Portugal e Bélgica também apresentaram ótimas atrações.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Irã em cena: &#8220;Onde Você Estava No Dia Oito de Janeiro?&#8221; </em></p>
<p style="text-align: justify;">A cultura do Irã é conhecida por nós através de seu cinema, que conseguiu se estabelecer mundialmente com características muito particulares que agradam à alguns e são rechaçadas por outros. Esse país islâmico, que vive a opressão de uma ditadura e um estado de alerta constante graças às guerras no Oriente Médio, contrapõe na arte a dura realidade com um tempo narrativo contemplativo e imagens bucólicas. Na dúvida se o teatro contemporâneo originário dali seguiria tais códigos que estamos familiarizados pela cinematografia iraniana, o Mehr Theatre Group nos confirmou que, de certa maneira, sim, com <strong>“Onde Você Estava No Dia Oito de Janeiro?”</strong> (<em>“Where Were You on January 8th?”</em>).</p>
<p style="text-align: justify;">Na história de Amir Reza Koohestani um grupo de mulheres e dois de seus namorados acabam ligados pelo sumiço e respectiva busca pela arma de um deles &#8211; membro do exército e que não deveria portá-la dentro de um espaço privado com a casa onde ela desapareceu. Não se sabe com quem está “a peruca” &#8211; como se referem à arma &#8211; e todos, dentro da realidade daquele país, têm motivos para precisar dela. A maior qualidade da dramaturgia é em como o autor faz quase todo o texto se passar em intrincadas conversas ao celular, cruzando em diferentes tempos e espaços os personagens, o que contribui significativamente para o tensionamento crescente e algo angustiante. Entremeando as cenas, quebras com uma narração poética e lenta acompanhada pela projeção de objetos significativos.</p>
<p style="text-align: justify;">A perfeita condução desse esquema de diálogos que são sobrepostos é realizada pelo autor que também dirige o espetáculo. A encenação em corredor ajuda a organizar os diferentes espaços e provoca uma boa circularidade do elenco. Com recursos cênicos simples até então, é próximo ao final que a integração da projeção ao vivo com o cenário, resulta numa imagem forte.</p>
<p style="text-align: justify;">Seria leviano tentar esmiuçar o trabalho dos atores Saeid Changizian, Fatemeh Fakhraee, Negar Javaherian, Elham Korda, Ahmad Mehranfar e Mahin Sadri, afinal toda a prosódia, entonação e mesmo pontuação falada em farsi (o persa contemporâneo) é muito diferente das línguas que dominamos. Isso posto, só resta dizer que, ainda que com possível limitação de compreensão, o elenco consegue transmitir o clima de tensão em que vivem aqueles personagens e eles próprios. (LM)</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8220;Gardenia&#8221;, uma obra de arte</em></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-medium wp-image-561" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Gardenia (Reprodução)" src="http://www.cadernoteatral.com.br/wp-content/uploads/2011/07/Gardenia-Reprodução-300x173.jpg" alt="" width="300" height="173" />Alain Platel, diretor da companhia Les Ballets C de la B, é possivelmente o coreógrafo belga mais conhecido na dança contemporânea mundial. Criador de espetáculos marcados por uma inquietação revoltosa dos movimentos físicos, humanos e sociais, ele prossegue com essas marcas em um de seus mais recentes e festejados espetáculos: <strong>“Gardenia”</strong>, dirigido com Frank Van Laecke.</p>
<p style="text-align: justify;">Partindo de um documentário cinematográfico que mostrava os personagens de um cabaré prestes a fechar em Barcelona, o espetáculo de dança-teatro retrata a última noite de uma casa de shows de travestis ou transformistas. Mais do que despedir-se deste espaço impregnado de suas histórias, os artistas que ali trabalham estão se despedindo de suas próprias vidas. O tom de despedida e sua nostalgia estão ali desde o início do espetáculo ao pedirem que o público faça um minuto de silêncio pelos artistas que se foram antes destes últimos resistentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Para além da discussão da condição de gênero específica, é a inexorabilidade do tempo e a decadência física nesses corpos tão estranhos e imperdoáveis ao padrão &#8211; homossexuais e velhos, uma combinação horripilante para a sociedade &#8211; o grande tema dessa verdadeira obra de arte que não se atém apenas ao teatro, a dança, ao show ou a performance, mas também à própria vida, biografada sobre o palco em todo seu incômodo. Entre cenas divertidas e momentos realmente coreográficos, é na cena de um jovem que questiona uma figura madura sobre o tempo e sua própria vida, que surge o ápice da montagem.</p>
<p style="text-align: justify;">A maravilhosa interpretação austera e grave de Vanessa Van Durme (a propositora desse projeto à Platel e Van Laecke) carrega em si toda a propriedade da vida desta que foi uma das primeiras transexuais da Bélgica que se submeteu à uma cirurgia de mudança de sexo. Ao seu lado, antigos artistas de cabaré &#8211; senhores cuja dignidade é comovente: Andrea De Laet, Richard ‘Tootsie’ Dierick, Danilo Povolo, Gerrit Becker, Dirk Van Vaerenbergh e Rudy Suwyns. Completando o conjunto de corpos-tempos-gêneros estão o jovem e vigoroso balairino Hendrik Lebon e uma mulher assim nascida: Griet Debacker. (LM)</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8220;Se Uma Janela Se Abrisse&#8221;: reflexão da linguagem</em></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-medium wp-image-562" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Se Uma Janela Se Abrisse (reprodução)" src="http://www.cadernoteatral.com.br/wp-content/uploads/2011/07/Se-Uma-Janela-Se-Abrisse-reprodução-300x173.jpg" alt="" width="300" height="173" />O bom teatro que vem sendo produzido por grupos de Portugal, infelizmente, tem presença menos frequente do que o desejado nos palcos brasileiros. Afinal, a língua deveria ser um importante ponto a favor desse trânsito entre os países, além da real qualidade que vem sido conquistada por nossos antigos colonizadores. Privilegiados pela proximidade com países de maior tradição teatral na Europa, artistas portugueses traduzem e encenam um grande volume de textos contemporâneos e já dão indícios que tal influência lhes caiu bem também na produção autoral. É o caso de <strong>“Se Uma Janela Se Abrisse”</strong> do grupo Mundo Perfeito, que se debruça sobre um tema indispensável ao mundo globalizado: a linguagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao colocar quatro atores envolvidos num jogo teatral que dubla um noticiário televisivo, resignificando as reportagens e assuntos ali dispostos, o autor e diretor Tiago Rodrigues nos  remete à uma reflexão sobre o discurso, a comunicação e a manipulação dos mesmos em um tempo onde o jorro de pensamentos e falas sufoca expressões mais delicadas do homem. É assim, por exemplo, que a catástrofe universal noticiada no jornal esconde em si a real catástrofe daquele que a fala: o abandono de sua mulher que insiste em carregar a máquina de café &#8211; lembrança dos bons tempos e esperança de retorno. Mesmo sendo um tanto romantizado, o texto consegue a simpatia ao suprir a carência de alguma poética para o cotidiano moderno.</p>
<p style="text-align: justify;">A encenação é bem estruturada tecnicamente para que tudo saia dentro do programado de forma ritmada ou desritmada. Seja na primeira parte, onde o jogo é estabelecido e direto, ou na segunda, quando a quebra se faz e um tom mais íntimo domina a cena, o diretor consegue estabelecer com segurança sua linguagem cênica. Entre esses dois blocos, numa espécie de intervalo divertido e interativo, há uma crítica à outro setor primordial para a realidade que temos hoje na comunicação: a propaganda. A distribuição do produto, um iogurte, que adjetiva quem é &#8211; ou deseja ser &#8211; seu consumidor, ajuda a criar um ótimo momento.</p>
<p style="text-align: justify;">No elenco, o autor e diretor acerta o tom ao dublar o apresentador do telejornal, mas nas quebras metateatrais junto ao público acaba um pouco mais antipático e menos engraçado do que pretende. Melhor se sai Tonán Quito em comedidas e engraçadas participações como várias figuras. Paula Diogo atua de forma regular. Quem chama a atenção mesmo é Cláudia Gaiolas com verve cômica acentuada e excelente preparo vocal. Em cena também está o DJ ALX em intervenções mais ou menos relevantes, com maior importância no belo final. (LM)</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Incômoda realidade em &#8220;Meire Love &#8211; Uma Tragédia Lúdica&#8221;</em></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-medium wp-image-563" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Meire Love (Reprodução)" src="http://www.cadernoteatral.com.br/wp-content/uploads/2011/07/Meire-Love-Reprodução-300x173.jpg" alt="" width="300" height="173" />Mais importante coletivo teatral de Fortaleza, no Ceará, e com onze anos de estrada, o Grupo Bagaceira de Teatro tem se consolidado com um eclético repertório que passa pelo drama, a comédia, o experimental e o infantil. É possível dizer que todas essas vertentes, em menor ou maior grau, se encontram em <strong>“Meire Love &#8211; Uma Tragédia Lúdica”</strong>, um exercício contundente  sobre uma realidade brutal e esmaecida: a prostituição infantil, chaga da sociedade brasileira &#8211; especialmente no Nordeste onde o turismo sexual, a pobreza do povo e a falta de combate dos poderes governantes propiciam sua abundância.</p>
<p style="text-align: justify;">É preciso não se enganar com o tom cômico do texto de Suzy Élida, que coloca em cena três adolescentes com seus anseios comuns de menina, que ganham contornos diferentes dentro da perversa realidade em que estão. Para além da prosódia e gíria local &#8211; que ao público do Sudeste são engraçadas &#8211; e das citações populares pertinentes ao universo que retrata, o texto consistente evoca pensamento sério por um bom caminho não maniqueísta e, por isso mesmo, incômodo em sua crueza real.</p>
<p style="text-align: justify;">A direção da autora e de Yuri Yamamoto provoca estranheza que corrobora o estado que a dramaturgia propõe. São três atores &#8211; três homens &#8211; que dão vozes a essas meninas; sentados em bancos de madeira, voltados para a plateia, a inflar de vida sonhos-plásticos e estourá-los. Se tal distanciamento não agride pelo representativo da realidade, provoca profundamente, como na interpretação trágica onde a ação é tão dura e violenta que não pode ser mostrada ou vivida, deve ser somente contada.</p>
<p style="text-align: justify;">Em cena, Yamamoto &#8211; figura oriental e nordestina &#8211; destaca-se pela intensidade e controle da verborragia de sua personagem num ótimo trabalho. Rafael Martins e Rogério Mesquita também estão irrepreensíveis, atendendo perfeitamente à proposta desse espetáculo de urgência e força. (LM)<em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Savana Glacial” encontra sua direção</em></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-medium wp-image-564" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Savana Glacial (Reprodução)" src="http://www.cadernoteatral.com.br/wp-content/uploads/2011/07/Savana-Glacial-Reprodução-300x173.jpg" alt="" width="300" height="173" />O carioca Jo Bilac faz surpreendente sucesso com textos profundamente ligados ao melodrama e que partem de inspirações determinantes. Foi assim com Nelson Rodrigues (<em>“Cachorro!”</em>) e, mais recentemente, com Agatha Christie (<em>“O Gato Branco”</em>).</p>
<p style="text-align: justify;">Em <strong>“Savana Glacial”</strong>, o dramaturgo saudavelmente deixa de lado &#8211; ao menos objetivamente &#8211; o universo alheio e tem a chance de mostrar qualidade não apenas em seus conhecidos bons diálogos e esquematizações dramáticas, mas também no argumento do jovem casal cujo problema de perda de memória recente da mulher faz vivê-los num espiral de dúvidas sobre a existência de um filho.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda que suavizado pela direção física de Renato Carrera, o melodrama se faz presente em falas carregadas de humor tragicômico e na escrita da protagonista. Se levado à cena de forma mais ou menos realista, a peça não alcançaria o mesmo bom resultado. Neste sentido, Carrera dignifica a dramaturgia ao colocá-la em cena de forma inusual. O diretor opta por estabelecer um tom menos intensamente dramático que, no entanto, não dispensa os momentos engraçados ou chorosos inerentes, e recorre à farsa necessária para o jogo de realidade e ficção. Contribuem ainda suas boas marcas físicas que, salvo em um ou outro momento gratuito, dão conta do ritmo frenético dos acontecimentos e rasgam com poesia a realidade &#8211; estabelecida ou imaginada.</p>
<p style="text-align: justify;">No elenco do Grupo Físico de Teatro do Rio de Janeiro, Camila Gama se destaca com a personagem mais interessante (uma misteriosa maquiadora) e consegue transitar por diferentes tons, extraindo de suas falas graça e vida. Andreza Bittencourt comove nas passagens mais angustiantes da desmemoriada, enquanto Renato Livera está correto como o marido. Completa o elenco Joao Rodrigo Ostrower em participação de pouca presença. (LM)</p>
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<p style="text-align: justify;"><em>“Sua Incelença, Ricardo III”: um Shakespeare debochado e universal</em></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-medium wp-image-565" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Sua Incelença Ricardo III (Reprodução)" src="http://www.cadernoteatral.com.br/wp-content/uploads/2011/07/Sua-Incelença-Ricardo-III-Reprodução-300x173.jpg" alt="" width="300" height="173" />Quando, em 1992, o diretor mineiro Gabriel Villela montou <em>“Romeu e Julieta”</em> com o Grupo Galpão, um dos elogios mais recorrentes sobre o espetáculo dizia respeito ao êxito do trabalho em resgatar as origens populares de Shakespeare. Quase duas décadas depois, Villela consegue repetir o feito, desta vez ao levar para as ruas o enredo soturno e sanguinário de uma das mais conhecidas peças do dramaturgo inglês, <em>“Ricardo III”</em>, cuja narrativa versa sobre a história verídica do rei que governou a Inglaterra entre 1483 e 1485, após assassinar membros da própria família. <strong>“Sua Incelença, Ricardo III”</strong> é fruto da parceria com o grupo Clowns de Shakespeare, de Natal, Rio Grande do Norte.</p>
<p style="text-align: justify;">A miscelânea barroca que se tornou praticamente um DNA do diretor é explorada na montagem através de jogos de sobreposições, nos quais cabe uma acertada mistura entre musicalidade regional nordestina com o pop britânico &#8211; a la Supertramp, Queen e Beatles.</p>
<p style="text-align: justify;">Para fazer com que Shakespeare sirva como luva ao gosto universal, a mescla entre deboche e liberdade ao tratar o cânone literário torna-se um dos maiores méritos da montagem e o diretor não se furta em brincar com os clichês das culturas de massa e da popular.</p>
<p style="text-align: justify;">Mortes encomendadas à figura de um cangaceiro, uma rainha Elizabeth roceira e platinada e a duquesa de York traduzida por uma estátua-viva que só se movimenta quando ganha moedas, estão entre as inventivas soluções cênicas exploradas pela montagem, que a todo o momento surpreende ao reciclar elementos já tão saturados do teatro de rua. Dessa forma, Villela e o Grupo Clowns de Shakespeare fazem um espetáculo digno das populares encenações do bardo inglês no Globe Theatre. E, apesar das inúmeras diferenças entre uma montagem e outra, possivelmente os nostálgicos de <em>“Romeu e Julieta”</em> também sairão satisfeitos. (JG)</p>
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<p style="text-align: justify;"><em>Nuances de um pensamento vacilante em “A Dócil”</em></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-medium wp-image-566" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="A Dócil (Reprodução)" src="http://www.cadernoteatral.com.br/wp-content/uploads/2011/07/A-Dócil-Reprodução-300x173.jpg" alt="" width="300" height="173" />Criado a partir da pesquisa do grupo paulista Folias D’Arte sobre o tema da cordialidade, o espetáculo <strong>“A Dócil”</strong> leva ao palco a novela homônima de Dostoiévski, escrita em 1876. A trama gira em torno de um agiota de meia-idade, que tenta, desesperadamente, encontrar explicações para o suicídio da esposa.</p>
<p style="text-align: justify;">Os contornos de densidade psicológica e questionamento moral que caracterizam a obra do autor russo ganham traços de semelhante complexidade na atuação de Dagoberto Feliz. Ao apostar numa interpretação realista, mas com liberdade poética de, por exemplo, intercalar canções à narrativa, o ator consegue traduzir os paradoxos de seu personagem e ainda imprimir uma saudável dose de ironia ao relato. O registro orgânico dos gestos e da fala do intérprete materializa o ir e vir de um pensamento vacilante, cuja tentativa de construir uma imagem positiva sobre si e sobre o tratamento dado à esposa suicida acaba por revelar a relação de crueldade e dependência travada com a companheira.</p>
<p style="text-align: justify;">A disposição do público também favorece a dinâmica vertiginosa da narrativa. Sentados em cadeiras colocadas no miolo e nas extremidades do espaço cênico, os espectadores ficam tão próximos dos intérpretes que, em algumas ações, chega a ocorrer breves contatos físicos. Trata-se de uma escolha que não só acentua a dimensão sensorial da narrativa como também valoriza a própria linguagem cênica.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora a presença da esposa (Patrícia Gifford) em cena torne a trama mais chapada &#8211; uma vez que a personagem carece de nuances que transcendam seu caráter de vítima &#8211; as cenas de violência entre a dupla contribuem para conectar o espetáculo à investigação inicial do grupo. Situadas num registro próximo ao hiper-realismo, tais ações evidenciam a face cruel da cordialidade, aspecto que, sobretudo no Brasil, serve muitas vezes para ocultar relações de autoritarismo e dominação velada. (JG)</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><em>Lucianno Maza e Júlia Guimarães (O Tempo ) viajaram a convite do FIT.</em><br />
<em> Agradecimentos: SESC Pinheiros e SESC Consolação.</em></p>
<p><a href="http://www.cadernoteatral.com.br/destaque/especial-fit-sao-jose-do-rio-preto/">Especial FIT &#8211; São José do Rio Preto</a>
</p>]]></content:encoded>
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